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terça-feira, setembro 15, 2009

O coreto


O antigo coreto no alto do cabeço do salgueiro, onde fica a capela de Santa Bárbara. Infelizmente como pode ver ao lado construíram a casa para o quadro electrico. Não havia outro lugar onde o fazer… não, tinha de ser mesmo ao lado! Ligares no seu pior.

Texto: José Araújo
Foto: Victor Costa






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quinta-feira, junho 11, 2009

Eleições

Em tempo de eleições, principalmente nas autárquicas.Em Ligares fica um ambiente estranho. Porque há uma espécie de guerra pelo poder ao ponto de famílias deixarem-se de falar, amigos também e tudo isso, só por ter um pensamento diferente do seu. Como se o nosso pensar fosse supremo e nenhum outro pode pensar diferente. Talvez seja assim em todo lado, mas isso deveriam ser coisas de um tempo já muito distante, infelizmente ainda existem A verdade é que há quem sempre vote na sua cor política ou num familiar, num amigo e poucos ou nenhuns vota em Ligares, no bem geral. O nosso partido político está sempre certo, mesmo que na frente dele esteja alguém que nos leve a desgraça. Um familiar é sempre melhor que todos, é sangue do nosso sangue, mesmo que o outro tenha mais capacidade para gerir a aldeia, o amigo é amigo mesmo que seja péssimo para a aldeia e depois, vê-se como anda a aldeia. O importante não é quem fica na junta ser do nosso partido ou da nossa família ou nosso amigo, o importante é essa pessoa ser o melhor para a nossa aldeia. Pois o nosso voto, não devia pertencer a ninguém e sim a Ligares. Depois há quem se queixe e prometem nunca mais votar nele. Mas nas próximas eleições já ninguém se lembra e tudo volta ao mesmo. Ligares é que perde e nós também. Quem diz Ligares, diz Portugal, diz Europa e o mundo

Texto: José Araújo

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quinta-feira, dezembro 04, 2008

As festas

Estamos num época de festas, o natal, a passagem de ano e os Reis, que vem perdendo lugar. Talvez por em Portugal ser uma festa sem consumo... é moda consumir, é o ritual dos tempos modernos. Mas as festas de Ligares já não são o que eram, já não vejo nas pessoas aquela excitação de antigamente quando uma festa se aproximava. Talvez por haver menos pessoas ou por haver mais coisas onde passar o tempo... a verdade é que quando se pergunta a alguém se gostou da festa, a resposta é a de sempre “fraquinho” isso é muito mais óbvio na maior festa de Ligares, a de Agosto. Acho que só existem dois caminhos para as festas numa aldeia como a nossa. Um de esses caminhos é fazer uma festa com um arraial cheios de grupos famosos a nível nacional, pois hoje já ninguém quer ver uns tipos que saibam tocar umas músicas e sim, estrelas! É óbvio de que uma aldeia como a nossa não tem dinheiro para gastarem numa festa assim, talvez a solução fosse fazer uma festa de um dia em vez de três ou seja, menos com mais qualidade! Não chegava para trazer cá uma estrela nacional, mas podiam fazer uma festa melhor, muito mais rica! Também podia a sede de concelho em vez de fazer uma festa na vila cheia de estrelas, espalhar pelas as aldeias ou seja, um concerto em cada aldeia. Isso faria mexer as pessoas de aldeia em aldeia e trazer mais orgulho aos que vivem nelas... sei que hoje tudo tem carro e pode-se ir a vila ver, porém não é a mesma coisa do que ver a aldeia num projecto desses. Só que, todos nós sabemos como essas coisas são! O orgulho da vila sem uma festa grande, como ficaria... Por tudo isso e muito mais, a Ligares só lhe resta seguir o outro caminho, o de fazer uma pesquisa entre as pessoas mais velhas, entre os arquivos e ir buscar a festa como era antigamente, imaginar como seria, se fosse o caso disso e fazer uma festa a moda antiga, cheia de tradições e bem parecida à festa original. As vantagens são óbvias, era uma festa a medida da aldeia, diferente do que se faz aqui e cheia de cultura, isso poderia desanimar os ligarenses mais futuristas, porém chamaria pessoas que procuram tradições e era a nossa festa, não precisava de ser a melhor e sim autentica! Podem pensar, lá está ele com as tradições, talvez tenham razão... a história é uma paixão minha! Pelos menos eu penso... assim como está é que não pode continuar

Texto:  José Araújo





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sábado, março 08, 2008

Capela da Santa Bárbara





Nesta foto podem se ver alguns pormenores da capela de Santa Bárbara. Devo dizer que não gosto da forma como a capela foi arranjada, porque modificou completamente o que ela era. Não é que a capela fosse algo de especial, pois era muito simples e normal, mas via-se o céu da porta e isso era algo que poucas pessoas são capazes de sentir. É verdade, que para aqueles que apanhavam sol ou chuva, enquanto a padre dizia a missa, é melhor assim… mas não seria isso, também uma prova de fé? Eu respeito muito fé das pessoas e não brinco com isso. Porém, a procissão é feita uma vez por ano, num dia de Verão e de manhã cedo, acho que não havia necessidade de isso. Mesmo assim,se queriam fazer um abrigo para as pessoas. Podiam ter feito uma espécie de coreto ao lado, para abrigar essas pessoas. Havia lá restos de um para a banda, podiam fazer um muito maior com cobertura e respeitando o ambiente envolvente. Teria ficado melhor! Assim, não gosto! É apenas a minha opinião! Para mim, a capela como está magoa a paisagem e pior, perdeu uma certa espiritualidade

Texto: José Araújo
Foto: Jaime Araújo



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domingo, fevereiro 17, 2008

Douro, o meu rio



Legendas: A)a Quinta B)O lugar onde minhas tias lavavam a roupa, hoje tomado pelo Douro C)neste lugar mais ou menos, havia uma pequena ilha



O primeiro contacto com o Douro foi em criança, quando o Douro era também uma criança. Os meus avós eram feitores numa quinta, bem á beira do rio e eu fiquei lá com eles, cedo me tornei um amigo do rio. Naquela altura, era um rio diferente do que é hoje, na verdade ambos crescemos e nos tornamos adultos. Apesar de viver agora mais afastado do rio, tenho memórias maravilhosas do Douro, quer visuais, tácteis ou olfactivas. O rio que me viu crescer, era forte e de águas claras. Não quer dizer que fosse menos poluído, mas era mais cristalino e selvagem! Pelo menos é a imagem que guardo dele nas minhas memórias de infância. Lembro-me das manhãs de nevoeiro em tons de fantasia, dos dias de sol cantados pelas aves e dos momentos com mais impacto, como as cheias que assustavam a minha avó e das lendas, daquelas grandes cheias em que o rio tinha chegado ao telhado das casas. Eu ficava fascinado e lá no fundo, queria que o rio chegasse mais perto. Se a minha avó soubesse... Depois vinham as vindimas, os odores eram mais fortes, que nos deixava embriagados os sentidos. Ainda hoje o cheiro do vinho me trás uma espécie de prazer e saudade, apesar de não gostar desse néctar dos deuses... Recordo as tardes que passei com o meu avô no alambique e dos lugares que hoje o rio cobre, onde as minhas tias costumavam lavar a roupa, o Douro também deixa magoas... recordo sobre tudo as horas que passava a olhar o rio, a cheira-lo, a escutar os seus movimentos por entre as rochas. O rio cresceu e eu também, seguimos caminhos diferentes. As vezes, pergunto-me se o rio terá saudade? Quando chove e a terra fica molhada, sinto o odor do Douro, acho que é ele que me vem visitar...


Texto: José Araújo
Este texto é dedicado aos meus avós e à minha tia

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